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Inovação e o futuro do lixo no País

22 de julho
De acordo com a revista científica Science Advances, mais de 13 bilhões de toneladas de entulho serão descartados em aterros ou no meio ambiente até 2050, se o ritmo de produção de lixo se mantiver nos padrões atuais. Para superar esse gargalo, a reciclagem é alternativa e mundo afora já é possível ver bons exemplos. A Grécia recicla cerca de 10% dos seus resíduos; o Reino Unido, pouco mais de 17%; e, a Áustria, quase 60%. Mas e o cenário no Brasil? Segundo dados do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, do Ministério do Meio Ambiente, o País produz mais de 70 milhões de toneladas de lixo por ano, cada brasileiro é responsável por 1 quilo de lixo na média e 90% de tudo que é coletado pelas prefeituras brasileiras vão parar em lixões e aterros sanitários, o que representa perda de R$ 8 bilhões.
 
O engajamento dos governos municipais, estaduais e, principalmente, federal é fundamental para introduzir de vez a cultura do reaproveitamento de resíduo sólido no País. Mas enquanto engatinhamos com políticas ineficientes, a saída é contar com o auxílio da tecnologia. As etiquetas RFID (Radio-Frequency IDentification – identificação por radiofrequência) são dispositivos que utilizam a frequência de rádio para captura de dados e oferecem a melhor solução para gestores que buscam implementar gestão de lixo em seus municípios. Ao anexar uma ‘tag’ (etiqueta) nos caminhões ou em contêineres, os leitores permitem a identificação dos mesmos que, aliados a outros dispositivos como balança eletrônica e GPS (Global Positioning System – sistema de posicionamento global), fornecendo inventário de resíduos com informações sobre quantidade, peso, classificação do lixo. De posse desses dados, gestores podem traçar mapeamento bairro a bairro. Rastreamento do lixo permite otimizar a rota de caminhões para diminuir a incidência de concentração de veículos em bairros onde a produção é menor.
 
As informações fornecidas pelas etiquetas vão fomentar estudos detalhados por região, viabilizando a implementação de programas mais efetivos de coletas de lixo. Mas o gerenciamento não permite apenas acelerar as taxas de reciclagem, mas, e principalmente, eliminam métodos tradicionais de coleta manual de dados, que são caros, sujeitos a erros, além de evitar a proliferação de doenças que têm no colaborador que desenvolve a atividade a sua principal vítima. O avanço tecnológico tem permitido o desenvolvimento de ‘tags’ mais resistentes para atender as exigências de rastreamento mais eficiente, independentemente das condições adversas de tempo. E a escolha certa de solução RFID trará enorme impacto no sucesso da iniciativa de gerenciamento de resíduos e, como consequência, aumentar as taxas de reciclagem no Brasil.
 
Edson Yano é gerente de vendas latam da empresa HID Glo

Conteúdo publicado originalmente em Diário do Grande ABC.
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