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Conceitos de Vida Útil

04 de maio
Segundo o Engenheiro Hélio Roberto Ribeiro de Caires na obra: Novos tratamentos matemáticos em temas de Engenharia de Avaliações, de 1978, existem dois diferentes conceitos – Vida Útil e Vida Útil Econômica, os quais permitem ao Engenheiro analisar a conveniência em substituir um determinado bem de produção (máquinas, equipamentos, veículos, etc.) durante a utilização dele pela organização.
 
Abaixo segue uma comparação entre Vida Útil e Vida Útil Econômica, conceituada por Hélio de Caires:
 
Vida Útil Vida Útil Econômica
Se refere a uma característica inerente ao bem analisado ainda que este dependa do nível de manutenção que é aplicada a ele. Envolve a estrutura econômico financeira da empresa.
Fornece uma data limite de substituição, baseada no obsoletismo, na não funcionalidade e na improdutividade. Baseado no máximo da produtividade e da eficiência.
Sugere a substituição no ponto de esgotamento do bem. Demonstra refinamento administrativo, substituindo o bem no ponto em que ele prestou o melhor serviço à empresa, com a maior eficiência, e deixará de fazê-lo daí por diante

 

Hasting (2015) conceitua a vida econômica de um bem como sendo a idade para além da qual não vale a pena mantê-lo do ponto de vista dos custos. Esta é a duração que minimiza seu custo por unidade de tempo, ou permite para um fluxo de caixa o custo anual equivalente. Da mesma forma que o Eng. Hélio de Caires, Hasting considera todos os ganhos (receitas, valor de venda) que o bem possa proporcionar descontado de todos os custos inerentes ao processo (despesas operacionais, manutenção, desmontagens, etc.) o qual é anualizado de uma forma equivalente com o objetivo de verificar qual é o ano que a substituição deverá acontecer, de forma que não se tenha prejuízos com a decisão de se permanecer com o bem.
 
Raineri (2010) conceitua a vida útil técnica de um bem como sendo aquela que é determinada pelo momento em que a capacidade do bem em fornecer serviço pelo qual ele é responsável, expira ou entra em colapso do ponto de vista funcional.
 
Raineri (2010) conceitua ainda a vida útil contábil que é usada para reconhecer o período de tempo que se espera que o bem possa prover serviços na empresa com a ideia de registrar contabilmente a transferência dos valores de investimentos para despesas.
 
Do ponto de vista da análise de falhas, Lafraia (2014) define a vida útil como sendo o intervalo de tempo durante o qual um item desempenha sua função com a taxa de falha especificada, ou até a ocorrência de uma falha não reparável.
 
O pronunciamento técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis -CPC27, que trata especificamente do ativo imobilizado define a vida útil como sendo: (a) o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar o ativo; ou (b) o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter pela utilização do ativo.
 
Apesar de aparentemente diferentes, os conceitos sobre a vida útil são equivalentes e/ou complementam-se entre si, desta forma a obtenção precisa desta informação é muitas vezes subjetiva e baseada em premissas e estimativas. 
 
Diferentes métodos podem ser utilizados para obter-se uma estimativa de vida útil, seja ela técnica, contábil ou econômica, como por exemplo: tabelas elaboradas por profissionais experientes, estatísticas de arquivos patrimoniais, estatística de obtenção de bens, métodos matemáticos como o CAUE – Custo Anual Uniforme Equivalente, CAE – Custo Anual Equivalente, inferência estatística, técnicas de otimização entre outras. A utilização do método mais adequado irá depender da qualidade da informação que estiver disponível no momento do estudo da Vida Útil.
 
Referência:
CAIRES, H.R.R. Novos tratamentos matemáticos em temas de engenharia de avaliações. 2. ed. São Paulo: Pini, 1978.
HASTING, N. A. J. Physical Asset Management: With an Introduction to ISO55000. Second Edition, Springer, 2015.
RAINERI, R. Asset life and pricing the use of electricity transmission infrastructure in Chile. Energy Policy, v. 38, p. 30-41, 2010.
LAFRAIA, J. R. B. Manual de Confiabilidade, Mantenabilidade e Disponibilidade. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora: Petrobras, 2014.
COMITÊ de Pronunciamentos Contábeis – CPC. Pronunciamento técnico CPC 27: Ativo Imobilizado, 2009.
 
Sobre o autor: O Eng. Ricardo Plizzari é Responsável Técnico da área de Engenharia de Avaliações de Máquinas e equipamentos, possui 9 anos de experiência em avaliações patrimoniais, possui graduação em Engenharia Mecânica, Especialização em Gestão de Pessoas e Competências, MBA Executivo Internacional em Gestão de Projetos e Mestrado Profissional em Engenharia Mecânica.
 

 

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